Política

Senado recorre ao STF para suspender liminar sobre impeachment de ministros

Casa legislativa alega que decisão de Gilmar Mendes interfere na atualização da Lei do Impeachment

10 de Dezembro de 2025
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

A Advocacia do Senado recorreu nesta quarta-feira (10) da decisão na qual o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), definiu que apenas o titular da Procuradoria-Geral da República (PGR) pode pedir impeachment de ministros da Corte. O pedido solicita que a liminar seja suspensa, ao menos até que o Congresso conclua a votação da proposta que atualiza a Lei do Impeachment.

De acordo com o Senado, a decisão provisória causa entraves ao processo legislativo e “zonas de dúvida interpretativa, risco de assimetrias normativas e obstáculos à elaboração técnica do novo diploma legal em fase final de consolidação". A Casa argumenta que a liminar interfere diretamente na tramitação da matéria, analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Na semana passada, Mendes suspendeu trecho da Lei de 1950 que permitia a qualquer cidadão denunciar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Na mesma decisão, estabeleceu que a abertura de processo de cassação deve exigir maioria qualificada de dois terços do Senado, e não mais maioria simples, como previsto até então.

O ministro justificou a urgência da medida diante da existência de 81 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo no gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele afirmou ainda haver “uso eleitoreiro” envolvendo a possibilidade de faseamento de algum ministro, o que reforçaria a necessidade de intervenção imediata.

O plenário do Supremo tem sessão virtual agendada entre 12 e 19 de dezembro para decidir se mantém ou não a liminar. O caso pode migrar para o plenário físico caso algum ministro apresente pedido de destaque. A apreciação também poderá ser interrompida se houver pedido de vista, que concede mais tempo para análise.

O recurso do Senado foi protocolado no mesmo dia em que o relator da nova Lei do Impeachment na CCJ, senador Weverton Rocha (PDT-MA), pediu a retirada do projeto da pauta. A decisão adia o debate para o próximo ano, já que o recesso parlamentar se aproxima.

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