Relatório aponta mais de 30 autoridades federais monitoradas durante governo Bolsonaro
Um relatório da Polícia Federal (PF), divulgado na última quarta-feira (18), revelou que o senador Omar Aziz (PSD-AM) está entre as autoridades monitoradas ilegalmente por agentes da chamada “Abin paralela”, estrutura clandestina de espionagem operada dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Ao todo, mais de 30 políticos e servidores públicos foram alvo do esquema, que utilizava viaturas, servidores, sistemas e até verbas públicas para práticas ilegais.
Entre os nomes de destaque monitorados estão o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), o ex-governador de São Paulo, João Doria, e parlamentares como os senadores Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues. O senador amazonense Omar Aziz aparece no relatório como um dos alvos diretos da operação clandestina.
De acordo com o relatório, Cláudio Castro foi investigado a partir de um comando para “buscar todos os podres” do governador fluminense, com o uso de dossiês e ferramentas de pesquisa. No caso de Barroso, o monitoramento visava encontrar possíveis vínculos entre seu escritório de advocacia familiar e decisões judiciais.
João Doria foi monitorado com o objetivo de levantar informações sobre eventuais conflitos entre interesses públicos e privados. Já o ex-deputado Jean Wyllys foi investigado juntamente com seus familiares no contexto do caso “Pavão Misterioso”, perfil criado em redes sociais para atacar opositores do antigo governo.
Entre os políticos monitorados constam também os deputados federais Kim Kataguiri, Paulo Pimenta, Gustavo Gayer, e o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ao todo, pelo menos 17 parlamentares de diversas legendas foram listados como alvos da espionagem.
Além das práticas de monitoramento ilegal, a PF revelou que mais de 30 autoridades e servidores da Abin foram indiciados. Entre eles, o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos articuladores do esquema. A investigação também implicou membros da atual cúpula da Abin, incluindo o diretor-geral Luiz Fernando Corrêa.
Os investigadores identificaram que a “Abin paralela” utilizava sistemas como o ORBIS, levantamento de dossiês e captura de informações de fontes abertas e privadas. O objetivo, segundo a PF, era obter informações para fins políticos, sem respaldo legal.
O relatório detalha ainda o uso irregular de recursos públicos e aponta o envolvimento direto de servidores da agência em atividades que violam a legislação vigente. O caso é considerado um dos maiores escândalos recentes de espionagem política no Brasil.
A divulgação da lista completa dos monitorados e dos indiciados reforçou a gravidade do caso. Entre os nomes envolvidos na operação estão figuras de diferentes esferas do poder, além de pessoas próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador Omar Aziz, ao tomar conhecimento das informações, afirmou que o caso demonstra a necessidade urgente de maior controle e fiscalização sobre os órgãos de inteligência, para evitar o uso político dessas estruturas no futuro.