Economia

Setor cafeeiro brasileiro vê nova esperança de isenção de tarifas nos EUA

Decreto de Trump e aceno a Lula reacendem expectativa de retomada das exportações.

27 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

Quase dois meses após a imposição de uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro, o setor cafeeiro volta a vislumbrar um cenário mais favorável para suas exportações aos Estados Unidos. A mudança de perspectiva surge após um decreto do presidente norte-americano, Donald Trump, e um gesto diplomático em direção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Assembleia-Geral da ONU.

No dia 5 de setembro, Trump assinou um decreto que trata das chamadas “tarifas recíprocas”. O documento inclui o café e o cacau entre os produtos que podem ser isentos de taxação, reconhecendo que o grão é essencial para o mercado americano, mas praticamente inexistente na produção doméstica. Essa abertura regulatória trouxe novo fôlego aos exportadores brasileiros.

Durante seu discurso na ONU, Trump afirmou ter tido “uma química excelente” com Lula e mencionou a possibilidade de uma reunião entre ambos na próxima semana, ainda sem data ou formato definidos. O gesto elevou o otimismo de entidades como a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) e o Conselho de Exportadores de Café (Cecafé), que veem a diplomacia como peça-chave para um acordo.

Segundo o decreto, a isenção tarifária só será concedida caso o país exportador feche um acordo comercial com os Estados Unidos. Isso torna a reunião sugerida entre Lula e Trump um ponto de grande expectativa. “Antes, não víamos perspectivas. Mas, com essa aproximação, o café pode se tornar prioridade em uma eventual negociação”, avalia Pavel Cardoso, presidente da Abic.

A importância desse avanço é reforçada pelo peso do Brasil no fornecimento mundial de café. Até a imposição da tarifa, o país era o principal exportador do grão para os Estados Unidos, respondendo por cerca de um terço do mercado. Após a taxação, a Alemanha assumiu a liderança como maior compradora do café brasileiro.

Para Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, a fala de Trump na ONU trouxe ânimo ao setor. “O decreto aponta o café como um produto não disponível para os EUA e de alto valor para sua indústria. A retomada do diálogo é fundamental para a concretização de um acordo bilateral”, destacou.

Além de fortalecer a parceria comercial, um eventual acordo entre Brasil e Estados Unidos poderia reduzir a pressão sobre os produtores brasileiros, que enfrentam custos elevados e buscam manter a competitividade internacional. A expectativa é que a solução possa ocorrer ainda neste ano.

Com a sinalização positiva no campo diplomático e a abertura regulatória prevista pelo decreto, exportadores e entidades do setor aguardam com otimismo os próximos passos das negociações, na esperança de que o café brasileiro volte a circular livremente no maior mercado consumidor da bebida no mundo.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.