Moradores do entorno do MorumBIS reclamam de cadastro obrigatório, exigência de dados pessoais e limite de circulação durante apresentações do grupo sul-coreano.
Moradores das proximidades do estádio do MorumBIS, na Zona Sul de São Paulo, estão questionando as restrições de acesso às próprias residências durante os shows do grupo sul-coreano BTS. As medidas, organizadas pela produtora Live Nation em conjunto com órgãos municipais e de segurança, incluem bloqueios de ruas, cadastramento prévio e identificação dos residentes. Segundo relatos de moradores, as regras dificultam a rotina das famílias e limitam a liberdade de circulação na região durante os eventos, realizados nos dias 28, 30 e 31 de outubro de 2026.
De acordo com as reclamações, a produtora exige que os moradores realizem um cadastro para obter autorização de entrada e saída das áreas bloqueadas. O procedimento solicita informações pessoais, como nome completo, CPF, número do IPTU e comprovante de residência. Após o preenchimento, os residentes devem apresentar um QR Code para atravessar os pontos de controle. Para os veículos, também é exigido um adesivo de identificação, conforme as regras relatadas.
Outro ponto que provocou indignação foi a suposta limitação de acesso às residências. Segundo as condições apresentadas pelos moradores, o cadastro permite registrar até seis pessoas por imóvel, com direito a duas entradas ou saídas por pessoa a cada dia. As restrições também poderiam afetar familiares, visitantes e prestadores de serviços. Esses limites específicos foram relatados pelos residentes, mas não puderam ser confirmados nas orientações públicas da organização consultadas.
A produtora cultural Thais Aguiar, que mora há mais de dez anos nas proximidades do estádio, criticou as exigências e afirmou que as mudanças prejudicam atividades cotidianas.
“É um absurdo essa restrição do nosso direito de ir e vir. Antes, a gente só apresentava um comprovante de endereço que a CET nos deixava passar. Não consegui retirar o adesivo no local que eles indicavam para ir buscar, porque batemos lá fora do horário e ninguém nos atendeu. Sem contar o absurdo que é limitar as pessoas a acessar suas casas apenas duas vezes por dia. Quem é que vai fazer o supermercado na minha casa, resolver os problemas com as crianças? Surreal tudo isso”, reclamou.
Bloqueios e esquema de segurança
A operação especial foi anunciada pela Live Nation em conjunto com a Polícia Militar, a Prefeitura de São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a Associação de Moradores do Morumbi. O objetivo, segundo os organizadores, é controlar a circulação de pessoas, evitar aglomerações e garantir a segurança do público durante os shows.
O planejamento divulgado inicialmente previa 12 pontos de acesso nas imediações do estádio, sendo cinco destinados à triagem de espectadores e sete exclusivos para moradores. Uma orientação posterior passou a indicar quatro entradas para o público com ingresso e oito para moradores, mantendo a necessidade de identificação nas áreas restritas.
As medidas foram adotadas diante da grande procura pelas apresentações do BTS, que integra a turnê mundial Arirang. A alta demanda por ingressos também levou fãs sem entradas a organizar encontros nas proximidades do estádio, aumentando a preocupação com possíveis aglomerações.
Os bloqueios começam às 8h nos dias de apresentação. Para os fãs, a abertura dos portões está marcada para as 16h, enquanto os shows estão previstos para começar às 20h. As informações constam no calendário oficial divulgado pela Live Nation e pela Ticketmaster.
Moradores questionam medidas
A principal reclamação dos residentes está relacionada à exigência de fornecer dados pessoais a uma empresa privada para acessar suas próprias casas. Os moradores também apontam dificuldades para cumprir tarefas cotidianas, como compras, deslocamentos de trabalho e atendimento a necessidades familiares.
Embora as medidas tenham sido apresentadas como parte do planejamento de segurança, os relatos levantam questionamentos sobre a proporcionalidade das restrições e a possibilidade de adotar procedimentos menos rigorosos para quem vive na região.