Justiça

Silas Câmara e familiares são citados na CPMI do INSS por pagamentos do CBPA

Deputado amazonense teria recebido recursos por meio de entidade investigada em fraudes no INSS

05 de Novembro de 2025
Foto: Divulgação

O deputado federal amazonense Silas Câmara (Republicanos) e familiares foram citados na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura fraudes em descontos de benefícios previdenciários. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou na última segunda-feira (3) que a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) efetuou pagamentos ao parlamentar e a parentes por meio da empresa Outros Network.

O presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira, confirmou conhecer o deputado, mas passou a maior parte de seu depoimento em silêncio, amparado por um habeas corpus preventivo concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, diante de contradições e omissões, Lincoln acabou recebendo voz de prisão em flagrante por falso testemunho ao final da sessão.

Entre os familiares citados estão dois filhos do deputado, Heber Tavares Câmara e Milena Câmara, e o irmão, o pastor Jônatas Câmara, presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas. Segundo a comissão, Milena atuaria como advogada da confederação, enquanto os demais nomes teriam sido beneficiados financeiramente.

O relator destacou que as investigações indicam movimentações financeiras suspeitas envolvendo a CBPA, com transferências que ultrapassam R$ 221 milhões em descontos associativos e repasses a empresas investigadas por ligação com esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) também apontou inconsistências entre a estrutura física da entidade e o volume de operações realizadas.

Os senadores e deputados que integram a CPMI questionaram Abraão Lincoln sobre o aumento repentino de filiados da CBPA, de quatro tentativas de cadastro em maio de 2023 para mais de 757 mil em 2025, e sobre tentativas de inclusão de 40 mil pessoas já falecidas. O depoente, porém, se negou a responder. Segundo Gaspar, o esquema pode ter causado prejuízos milionários a aposentados e pensionistas em todo o país.

A sessão foi marcada por embates entre parlamentares e a defesa do depoente, que alegou que Lincoln já é investigado pela Justiça e, portanto, não poderia se autoincriminar. Apesar do direito ao silêncio, os membros da CPMI insistiram em respostas sobre o destino dos recursos e a relação da entidade com figuras políticas e empresas investigadas.

O relator afirmou ainda que a confederação repassou cerca de R$ 25 milhões à empresa Plataforma Consultoria e R$ 15 milhões à Titanium Pay, ambas pertencentes a Philippe André Lemos, supostamente ligado a um dos núcleos das fraudes. Outras transferências teriam sido feitas a empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e até à esposa de um ex-procurador-geral do instituto.

No encerramento da sessão, o vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), pediu nova prisão por falso testemunho, alegando que o depoente mentiu sobre repasses políticos, incluindo R$ 5 milhões destinados ao deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA). Segundo Duarte, as respostas evasivas de Lincoln evidenciam tentativa de blindar aliados.

Para a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), o comportamento do depoente foi um sinal de proteção a figuras influentes. “O senhor está blindando poderosos, parlamentares e pessoas que deveriam estar sendo investigadas”, criticou.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), fez um balanço dos trabalhos, informando que a comissão realizou 21 reuniões, ouviu 23 depoentes e reuniu mais de 200 gigabytes de documentos. Viana afirmou que a comissão já obteve avanços práticos, como um acordo entre a Previdência e um banco para devolver R$ 7 milhões aos aposentados.

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