Primeira Turma do Supremo analisa nesta terça-feira (6) a denúncia da PGR contra sete integrantes do chamado núcleo 4, acusado de desinformação, pressão sobre o Exército e uso indevido da Abin.
O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (6) o julgamento de mais um trecho da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) relacionada à tentativa de golpe de Estado que tinha como objetivo manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, mesmo após a derrota nas eleições de 2022.
Desta vez, os cinco ministros que integram a Primeira Turma do Supremo — Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux — analisam se aceitam o trecho da denúncia referente a sete acusados que compõem o chamado núcleo 4 da trama golpista.
Segundo o fatiamento da denúncia feito pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, os denunciados do núcleo 4 “foram responsáveis por ações estratégicas de desinformação, com o objetivo de desacreditar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral, gerando instabilidade social favorável ao golpe.”
Ainda de acordo com a acusação, o grupo também praticou atos com o objetivo de “constranger o comandante do Exército à época, general Freire Gomes, a aderir ao complô golpista.” Para tanto, “foram mobilizadas ‘milícias digitais’ a fim de atacar o militar e sua família.”
A denúncia também aponta que houve uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), com a utilização de equipamentos da instituição para monitorar opositores. A PGR afirma que a estrutura da Abin foi empregada “para avançar nos objetivos golpistas de gerar instabilidade social e intimidar quem se colocasse como contrário ao plano.”
Os sete denunciados do núcleo 4 respondem a cinco crimes:
• organização criminosa armada,
• tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito,
• golpe de Estado,
• dano qualificado pela violência,
• grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
A maioria dos integrantes desse núcleo é composta por militares. Também foram denunciados um policial federal e um engenheiro, apontado como responsável por apoiar tecnicamente os ataques às urnas eletrônicas. Os nomes dos acusados são:
• Ailton Gonçalves Moraes Barros (major da reserva do Exército),
• Ângelo Martins Denicoli (major da reserva),
• Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente),
• Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel),
• Reginaldo Vieira de Abreu (coronel),
• Marcelo Araújo Bormevet (policial federal),
• Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (“presidente do Instituto Voto Legal”).
De acordo com o regimento interno do STF, cabe às duas turmas da Corte julgar os processos criminais. Como o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, integra a Primeira Turma, cabe a esse colegiado a análise da denúncia.
Se a maioria dos ministros aceitar a acusação, os denunciados passam à condição de réus e responderão a uma ação penal no Supremo Tribunal Federal. A partir daí, as defesas poderão ter acesso ampliado ao material reunido pela acusação, apresentar novas provas e indicar testemunhas.
No dia 25 de março, a Primeira Turma do STF já havia aceitado, por unanimidade, o trecho da denúncia referente ao núcleo 1, tornando réus oito acusados considerados os líderes da tentativa de golpe. Entre eles, estão generais da reserva e ex-integrantes do governo Bolsonaro. A própria PGR acusa o ex-presidente de liderar a organização criminosa.
Em 22 de abril, o colegiado também aceitou por unanimidade a denúncia contra seis integrantes do núcleo 2, formado por quem teria fornecido o suporte jurídico e intelectual ao plano golpista.
Com isso, o número de réus no caso já chega a 14. Caso a denúncia contra o núcleo 4 também seja aceita, esse número subirá para 21. O julgamento dos 12 acusados que compõem o núcleo 3 foi marcado para o dia 20 de maio.
O fatiamento da denúncia em seis núcleos distintos foi autorizado pelos próprios ministros da Primeira Turma do STF. O procurador-geral, Paulo Gonet, explicou que a medida visa facilitar a tramitação do caso, que envolve ao todo 34 pessoas investigadas por participação no golpe fracassado.
Com informações da Agência Brasil.