Turma do Supremo Tribunal Federal considera que acusados compõem o "núcleo crucial" do golpe de 2023
Nesta quarta-feira (26), por decisão unânime, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro, junto a outros sete aliados, se tornassem réus por envolvimento em um golpe de Estado e tentativa de derrubada do Estado Democrático de Direito.
O julgamento marca a primeira vez que um ex-presidente eleito é responsabilizado judicialmente por crimes contra a ordem democrática, conforme os artigos 359-L (golpe de Estado) e 359-M (abolição do Estado Democrático de Direito) do Código Penal brasileiro.
Em sua fala, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, destacou a "suficiência" das provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República. “Não há então dúvidas de que a procuradoria apontou elementos mais do que suficientes, razoáveis, de materialidade e autoria para o recebimento da denúncia contra Jair Messias Bolsonaro", afirmou.
Além do golpe e da tentativa de derrubar o Estado Democrático de Direito, o ex-presidente também foi acusado de organização criminosa armada, danos qualificados e deterioração de patrimônio tombado, com penas que, se somadas, podem ultrapassar 30 anos de prisão.
Todos os ministros da Primeira Turma do STF, incluindo Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, acompanharam o relator na decisão. O colegiado também resolveu, por unanimidade, tornar réus outros sete indivíduos próximos a Bolsonaro, que também enfrentam acusações pelos mesmos crimes.
Estes oito réus, conhecidos como o "núcleo crucial" do golpe, fazem parte de um grupo de 34 denunciados. Os acusados são:
• Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
• Walter Braga Netto, ex-ministro e ex-vice-presidente de Bolsonaro
• General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional
• Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
• Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal
• Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
• Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
• Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator
Com a decisão, o STF abre caminho para o aprofundamento da investigação e a responsabilização dos envolvidos, em um momento crucial para a história política brasileira.