Brasil negocia para evitar classificação de facções como organizações terroristas
A suposta ligação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o grupo libanês Hezbollah é um dos argumentos utilizados pelo governo dos Estados Unidos para defender a classificação da facção brasileira como organização terrorista. A proposta também inclui o Comando Vermelho (CV) e tem gerado preocupação diplomática no Brasil, que tenta negociar para evitar a mudança e possíveis implicações jurídicas e de segurança.
A avaliação é defendida pelo subsecretário adjunto de Defesa dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Joseph Humire. Em depoimento ao Congresso norte-americano, ele afirmou que o PCC estaria entre organizações criminosas da América Latina com ligações ao Hezbollah, citando ainda outros grupos investigados por relações com organizações consideradas extremistas.
Segundo Humire, a região da tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai é apontada como um ponto histórico de convergência entre crime organizado e financiamento de grupos classificados como terroristas. Ele também mencionou que 11 indivíduos residentes no Brasil e no Paraguai foram sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por supostamente fornecer apoio financeiro ao Hezbollah.
O subsecretário reconhece que o Brasil e outros países da América Latina possuem legislações antiterrorismo, mas observa que muitos governos da região não classificam oficialmente o Hezbollah como organização terrorista. Segundo ele, essa diferença jurídica limita a aplicação das leis específicas. Como exemplo, citou o caso de um integrante do grupo preso no Peru em 2014 que acabou absolvido das acusações de terrorismo por falta de base legal clara.
Humire também tem feito críticas recorrentes ao Brasil em declarações públicas. Em publicações nas redes sociais, ele apontou como pontos de atenção a influência econômica da China no agronegócio brasileiro, a suposta utilização do país como plataforma de espionagem pela Rússia e possíveis operações do Hezbollah e da Guarda Revolucionária do Irã em território brasileiro, alegações para as quais não foram apresentadas comprovações públicas.