Saúde

SUS passa a oferecer novos tratamentos hormonais para endometriose

DIU com levonogestrel e desogestrel são as novas opções disponíveis pelo sistema público.

10 de Julho de 2025
Foto: Reprodução / Internet

Mulheres com endometriose agora contam com duas novas opções de tratamento hormonal oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS): o dispositivo intrauterino com levonogestrel (DIU-LNG) e o desogestrel. Os métodos foram incorporados recentemente à rede pública após recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Em nota, o Ministério da Saúde explicou que o DIU-LNG atua suprimindo o crescimento do tecido endometrial fora do útero e é indicado especialmente para mulheres com restrição ao uso de anticoncepcionais orais combinados. A tecnologia deve melhorar a adesão ao tratamento, já que sua troca é necessária apenas a cada cinco anos.

Já o desogestrel, um anticoncepcional hormonal, reduz a dor e inibe a progressão da doença, podendo ser utilizado como primeira linha de tratamento, inclusive antes da confirmação diagnóstica por exames. Ele age bloqueando a atividade hormonal que permite o crescimento do endométrio em locais indevidos.

O Ministério destaca que, para a disponibilidade efetiva no SUS, ainda é preciso atualizar o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Endometriose.

A doença

A endometriose é uma condição inflamatória crônica ginecológica, em que o tecido semelhante ao endométrio (camada que reveste o útero) cresce em outras partes do corpo, como ovários, bexiga e intestino, provocando reações inflamatórias.

Entre os principais sintomas estão:

• Cólica menstrual intensa

• Dor pélvica crônica

• Dor durante relações sexuais

• Infertilidade

• Distúrbios intestinais e urinários com padrão cíclico

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva, o equivalente a mais de 190 milhões de pessoas no mundo.

Situação no Brasil

Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 2022 e 2024, houve um crescimento significativo no atendimento a mulheres com endometriose na rede pública:

Atenção primária: aumento de 30%, passando de 115,1 mil atendimentos em 2022 para 144,9 mil em 2024

Atenção especializada: aumento de 70%, de 31.729 atendimentos em 2022 para 53.793 em 2024

Internações: crescimento de 32%, de 14.795 em 2022 para 19.554 em 2024

No total, entre 2023 e 2024, foram mais de 260 mil atendimentos e 34,3 mil internações por endometriose no país.

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