Sexta-Feira, (06 de Novembro de 2026)
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Taiwan acusa China de pressão e fecha escritório em Papua-Nova Guiné

Decisão encerra representação diplomática informal e programas de cooperação; Taiwan também suspende compras de gás natural do país do Pacífico.

Por: Portal Amz em Pauta
06 de Novembro de 2026
Foto: Taiwan News / Fotografia de arquivo.

Taiwan anunciou nesta sexta-feira (6) o fechamento de seu escritório de representação em Papua-Nova Guiné e a retirada de todos os funcionários que atuavam na unidade, localizada na capital, Port Moresby. A decisão foi comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores taiwanês, que acusou a China de exercer pressão política e econômica sobre o governo do país do Pacífico. A medida encerra uma representação mantida desde 1990 e também afeta programas de cooperação e relações comerciais entre os dois territórios.

O anúncio ocorre após meses de tensões diplomáticas. Em julho, o governo de Papua-Nova Guiné determinou o encerramento das atividades do escritório taiwanês, justificando a decisão como parte de seu compromisso com a política de Uma Só China. Na ocasião, Taiwan contestou a medida e manteve a representação em funcionamento enquanto tentava negociar uma solução. Entretanto, segundo o governo taiwanês, as autoridades locais voltaram a exigir a saída dos funcionários, estabelecendo um prazo para o encerramento definitivo das operações.

Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan afirmou que decidiu retirar seus representantes para preservar sua autonomia diplomática e seus interesses internacionais. A administração taiwanesa também informou que pretende redirecionar os recursos destinados a Papua-Nova Guiné para países aliados e outras regiões consideradas estratégicas. Além do fechamento do escritório, serão encerrados programas de assistência técnica, serviços médicos, bolsas de estudo e iniciativas de capacitação profissional mantidos ao longo dos últimos anos.

A decisão também terá consequências econômicas. Taiwan informou que suspendeu as compras de gás natural liquefeito de Papua-Nova Guiné no mercado à vista e que não pretende assinar novos contratos dessa modalidade. O território asiático havia planejado adquirir aproximadamente 500 mil toneladas do produto no primeiro semestre de 2026. Segundo o governo taiwanês, suas importações representavam cerca de um terço das exportações de gás natural liquefeito de Papua-Nova Guiné, o que pode provocar impactos nas receitas do país. Taiwan afirmou que já identificou fornecedores alternativos para garantir seu abastecimento energético.

A disputa faz parte de um cenário mais amplo de rivalidade diplomática entre China e Taiwan. Pequim considera a ilha parte de seu território e se opõe à manutenção de relações diplomáticas oficiais com o governo taiwanês, que rejeita a reivindicação chinesa de soberania. Papua-Nova Guiné reconhece oficialmente o governo de Pequim, assim como a maioria dos países do mundo, mas permitia a presença de uma representação econômica de Taiwan. O fechamento do escritório foi elogiado pelas autoridades chinesas em julho e criticado pelos Estados Unidos, que manifestaram preocupação com a restrição das relações internacionais taiwanesas.

Apesar das acusações de Taiwan, não houve confirmação independente de que a decisão de Papua-Nova Guiné tenha sido determinada diretamente por Pequim. Até a publicação das informações desta sexta-feira, os ministérios das Relações Exteriores da China e de Papua-Nova Guiné não haviam apresentado novas respostas aos questionamentos da Reuters. Taiwan mantém atualmente relações diplomáticas oficiais com apenas 12 países, incluindo três nações do Pacífico: Palau, Tuvalu e Ilhas Marshall. O episódio evidencia as dificuldades enfrentadas por Taiwan para preservar sua presença internacional diante da crescente disputa por influência na região.

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