Setores pressionam governo para conter prejuízos após sobretaxa de 50%.
Após o decreto do presidente Donald Trump que impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, diversos setores da indústria nacional já contabilizam perdas e articulam estratégias para mitigar os impactos. A medida, publicada nesta semana, afeta fortemente segmentos como o de máquinas e equipamentos, carnes, café, frutas, móveis, têxteis e calçados, que continuam na lista de produtos sobretaxados pelos Estados Unidos.
Apesar de o decreto prever cerca de 700 exceções, beneficiando setores estratégicos como o aeronáutico, o de energia e parte do agronegócio, a maior parte das exportações brasileiras para o mercado norte-americano segue sob forte pressão tarifária.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que a perda com a venda de carne bovina para os EUA pode chegar a US$ 1 bilhão. O setor já estuda alternativas, como a ampliação da presença em outros mercados e o fortalecimento das vendas internas — mas reconhece que essas estratégias demandam tempo e ajustes nos preços.
No setor cafeeiro, a preocupação também é grande. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o Brasil é responsável por 34% do mercado de café dos EUA. A entidade avalia que, apesar do peso da nova tarifa, há possibilidade de redirecionar parte da produção para outros países consumidores.
Já a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) fala em "graves impactos" para a fruticultura nacional. Produtos como manga, uva e açaí processado — que juntos representam 90% das exportações brasileiras de frutas aos EUA — devem ser os mais afetados pela medida.