Amazonas

Tarifaço de Trump pode afetar mais as importações da ZFM que exportações

Cieam alerta para impacto indireto e risco à competitividade do Polo Industrial

24 de Julho de 2025
Foto: Divulgação

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) projeta que as novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo dos Estados Unidos, conhecidas como “tarifaço de Trump”, devem afetar mais significativamente as importações do Polo Industrial de Manaus (PIM) do que as exportações da Zona Franca de Manaus (ZFM). A avaliação considera o atual volume de comércio entre os dois países e o perfil da matriz industrial da região.

De acordo com o Cieam, o impacto direto sobre as exportações da ZFM tende a ser reduzido, já que os Estados Unidos não figuram entre os principais destinos das vendas externas do Amazonas. Em 2024, o estado exportou aproximadamente US$ 99 milhões para o mercado norte-americano, valor modesto diante dos US$ 40 bilhões exportados pelo Brasil no total.

São Paulo, por exemplo, lidera esse ranking nacional, com mais de US$ 13 bilhões em exportações. Nesse cenário, a participação do Amazonas é considerada baixa, o que limita o alcance imediato das tarifas sobre os produtos acabados do Polo Industrial de Manaus destinados aos EUA.

Por outro lado, a preocupação maior recai sobre as importações. O PIM depende fortemente de insumos e matérias-primas vindas dos Estados Unidos, como os polímeros do setor termoplástico, que somaram cerca de US$ 600 milhões em 2024. Qualquer medida de retaliação por parte do Brasil pode resultar em tarifas adicionais, encarecendo esses insumos e afetando a competitividade das indústrias locais.

“Esse tipo de medida pode gerar um efeito cascata, com reposicionamento global de cadeias produtivas e reações de outros países. É preciso atenção estratégica”, alerta Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do Cieam. Ele lembra que, em muitos casos, os fornecedores internacionais absorvem parte das tarifas para manter seus produtos no mercado americano, evitando repasse ao consumidor.

O Cieam também aponta que a postura dos Estados Unidos pode buscar, além de proteção, pressionar seus parceiros comerciais a realizarem concessões bilaterais. Isso cria um ambiente de incerteza nas relações multilaterais e abre margem para negociações políticas com base em prêmios e punições tarifárias.

Esse reposicionamento internacional traz, ao mesmo tempo, riscos e oportunidades para o Brasil. Entre os riscos estão o desvio de comércio, com países afetados pelas tarifas americanas buscando novos mercados, e a pressão sobre a diplomacia brasileira em acordos bilaterais. Por outro lado, o país pode aproveitar espaços deixados por concorrentes tarifados para ampliar suas exportações em determinados nichos.

Por fim, o Cieam reforça que a Zona Franca de Manaus segue como modelo estratégico para o Brasil, especialmente em cenários de instabilidade global. Seus incentivos podem mitigar os efeitos negativos de políticas protecionistas e garantir resiliência ao setor industrial instalado na Amazônia.

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