Economia

Tarifas de Trump já prejudicam exportações brasileiras antes mesmo de vigorar

Setores como carne, mel, madeira e pescados sofrem cancelamentos e paralisações imediatas

19 de Julho de 2025
Foto: Divulgação

A tarifa de até 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mesmo antes de entrar em vigor oficialmente em 1º de agosto, já afeta duramente a economia do Brasil. Empresas de diversos setores estão vendo cancelamentos, suspensão de embarques e até paralisação de fábricas.

A antecipação das medidas ocorre por receio dos compradores norte-americanos de que os produtos brasileiros cheguem após a data da nova taxação e sejam atingidos pelos altos encargos. Em resposta, produtores brasileiros preferem reduzir ou suspender a produção, evitando prejuízos com estoques não comercializados.

O setor de carnes do Mato Grosso do Sul foi um dos primeiros a ser afetado. Segundo o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados do estado, pelo menos quatro frigoríficos sendo eles JBS, Naturafrig, Minerva Foods e Agroindustrial Iguatemi, interromperam a produção destinada ao mercado americano.

Os Estados Unidos são o segundo maior comprador da carne brasileira, atrás apenas da China. Segundo o Ministério da Agricultura, 12% da carne exportada pelo Brasil vai para os EUA. Com a nova tarifa, as vendas se tornariam inviáveis, levando as empresas a redirecionarem o produto para outros mercados.

Além da carne, a produção de tilápia no Mato Grosso do Sul também está ameaçada. Quase toda a produção do estado, 99,6%, tem como destino os Estados Unidos. O estado é o quinto maior produtor do peixe no Brasil, segundo o Anuário da Piscicultura 2024.

No Piauí, o impacto veio de forma rápida e direta: grandes encomendas de mel orgânico foram canceladas no dia 9 de julho, ainda no mesmo dia do anúncio da tarifa. A medida afetou o Grupo Sama, uma das maiores exportadoras do mundo, que trabalha com mais de 12 mil pequenos produtores nordestinos.

A situação se repete no setor madeireiro. No Paraná, a BrasPine concedeu férias coletivas a 700 funcionários em sua unidade de Jaguariaíva. O estado é um dos líderes nacionais em exportações de madeira, e os EUA são responsáveis por mais de 40% das compras brasileiras do setor.

Os pescados também enfrentam impacto severo. Empresários dos Estados Unidos cancelaram a compra de peixes, lagostas e camarões de portos do Nordeste como Salvador, Pecém e Suape. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados alerta que 70% das exportações do setor têm como destino os EUA.

No Espírito Santo, potência na exportação de rochas naturais como granito e mármore, embarques foram suspensos por compradores norte-americanos. Embora os pedidos não tenham sido cancelados formalmente, empresas aguardam nova definição. O estado responde por 82% da receita nacional do setor.

Infográfico produzido em 16 de julho de 2025 (Foto: G1)

A Embraer, no Vale do Paraíba, já estima prejuízos bilionários. Segundo a empresa, se a tarifa se mantiver, pode haver perdas de até R$ 20 bilhões até 2030. Os EUA são destino de 45% dos jatos comerciais e 70% dos executivos produzidos pela companhia.

O setor de suco de laranja, com forte presença no interior de São Paulo, teme impactos em toda a cadeia produtiva, que emprega 200 mil pessoas. A liderança brasileira na exportação do produto pode ser ameaçada com a nova taxação, tornando o preço menos competitivo.

Municípios paulistas como Sorocaba, Piracicaba e Itapetininga calculam perdas na agroindústria e setores como o metalmecânico e automotivo. Já o Porto de Santos prevê prejuízo de até R$ 145 milhões, com impacto direto nas exportações de café e na geração de empregos.

Com a tarifa podendo atingir em cheio setores como o da cana-de-açúcar, uvas frescas e estruturas metálicas em estados como Pernambuco, a expectativa é de que o próprio mercado americano pressione pela reversão da medida. Enquanto isso, o governo federal estuda alternativas para amenizar os efeitos negativos no comércio exterior brasileiro.

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