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The Town 2025 abre com Travis Scott hipnótico e público eufórico

Primeiro dia reuniu jovens em Interlagos, shows intensos e protestos com sinalizadores

07 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

O primeiro dia do The Town 2025, realizado neste sábado (6) no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, foi marcado pela energia de um público majoritariamente jovem, que lotou a Cidade da Música em busca de seus ídolos do rap, trap e afrobeats. A noite fria e nublada, com garoa em alguns momentos, não afastou os fãs, que chegaram uniformizados com o já famoso “óculos do Travis Scott”, headliner da abertura.

A segurança, porém, teve de lidar com o uso de sinalizadores, proibidos no evento. A apresentação de Don Toliver chegou a ser interrompida por cerca de 20 minutos após parte do público invadir o fosso reservado a fotógrafos. O festival informou que 2 mil profissionais, drones e 95 câmeras foram mobilizados para monitorar a plateia, reforçando que objetos proibidos, como os sinalizadores, resultam em retirada imediata do local.

O rapper texano, apadrinhado musicalmente por Travis Scott, entregou um show de trap melódico com forte influência do R&B, mas precisou pedir calma à multidão. Antes do tumulto, já havia levantado o público com seus vocais “autotunados”, preparando o clima para a atração mais esperada da noite.

Quando Travis Scott subiu ao palco Skyline, o público viveu um dos momentos mais intensos do festival. Conhecido por sua capacidade de prender a atenção dos fãs, o rapper conseguiu algo raro: jovens guardarem os celulares para se entregar à experiência. Em pouco mais de uma hora, Scott transformou Interlagos em um espaço de catarse coletiva, reforçando sua posição como um dos maiores ídolos da geração Z.

O dia também contou com a força do afrobeats de Burna Boy, que impressionou até quem não o conhecia bem. Com banda afiada e batidas graves que faziam o público tremer, o nigeriano mostrou a potência do pop africano que mistura influências do rap americano e do dancehall caribenho. A recepção foi calorosa, ainda que marcada pela expectativa do show principal.

A noite ainda trouxe nomes de peso da cena nacional. O cearense Matuê repetiu o sucesso do Rock in Rio 2024 e arrastou uma multidão de jovens que sabiam todas as letras de cor, com direito a participações de Teto, Wiu e Brandão. Já Filipe Ret abriu o palco Skyline com uma apresentação envolvente e cheia de referências ao trap e funk brasileiros.

Entre os momentos de maior potência artística, esteve o espetáculo de Lauryn Hill, acompanhada dos filhos YG e Zion Marley. Em sua quinta passagem pelo Brasil, a americana emocionou o público com hits atemporais, atravessando gerações. Apesar de reunir um público menor que o esperado para sua grandeza, deixou um show memorável, marcado pela entrega e emoção.

A cena nacional também foi representada por MC Cabelinho, que embalou adolescentes com letras de ostentação e sexo, e pelo trio Karol Conká, Ebony e Ajuliacosta, que abriram o festival com um show de empoderamento feminino e discurso antirracista, reforçando a presença cada vez maior das mulheres no rap e no trap.

Além dos shows, o público enfrentou filas para ganhar brindes e comprar comidas, mas elogiou a estrutura de banheiros e organização. A primeira noite deu o tom do festival, que promete movimentar São Paulo com grandes nomes internacionais e nacionais ao longo de todo o fim de semana.

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