Saúde

Tirzepatida do Paraguai vira alvo de disputa judicial no Brasil

Anvisa contesta decisões que autorizam importação de versões sem registro sanitário e alerta para riscos à saúde.

Por: Portal Amz em Pauta
22 de Junho de 2026
Foto: Reprodução / PRF

Versões paraguaias de medicamentos à base de tirzepatida se tornaram alvo de uma disputa na Justiça Federal. Mesmo proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as canetas têm sido objeto de ações movidas por pacientes que buscam autorização para importar o produto.

Ao menos 12 ações pedem a entrada no Brasil de versões paraguaias da substância. Em cinco delas, decisões judiciais autorizaram a importação, apesar do veto sanitário. A Anvisa recorre das decisões e sustenta que os produtos não passaram por avaliação no país.

A tirzepatida é uma substância aprovada no Brasil em medicamentos regularizados para tratamento de obesidade e diabetes, sempre com acompanhamento médico. O impasse envolve versões produzidas no Paraguai que não têm registro na Anvisa e, por isso, não possuem comprovação oficial de segurança, eficácia e qualidade no território brasileiro.

Segundo a agência, nove marcas paraguaias já foram proibidas no país, entre elas Lipoless, Tirzec, Gluconex, Tirzedral, Slimex MD, Slimex, Rapha e tirzepatidas produzidas pelas marcas Synedica e TG.

O principal argumento apresentado por pacientes é o preço. Enquanto o tratamento com medicamento regularizado no Brasil pode custar cerca de R$ 1,4 mil por mês na dose mais baixa, versões vendidas no Paraguai chegam a ser oferecidas por valores menores.

A Receita Federal informou aumento expressivo nas apreensões de canetas emagrecedoras irregulares. Entre janeiro e maio de 2026, foram retidas 414 mil unidades de medicamentos à base de GLP-1, volume mais de 12 vezes superior ao registrado em todo o ano anterior.

Atualmente, a entrada desses medicamentos sem autorização sanitária é tratada como contrabando. Mesmo assim, os produtos continuam sendo anunciados em redes sociais e aplicativos de mensagens, o que amplia a preocupação dos órgãos de fiscalização.

A Anvisa também acompanha notificações de eventos graves relacionados ao uso de tirzepatida. Até o momento, 44 mortes estão em investigação no sistema de farmacovigilância da agência, mas não há confirmação de quantas envolvem produtos irregulares.

A disputa judicial expõe o conflito entre o acesso a tratamentos de alto custo e a proteção sanitária. Para a Anvisa, decisões que autorizam a importação de medicamentos sem registro podem fragilizar o controle de segurança e colocar pacientes em risco.

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