Justiça

Toffoli prorroga por 60 dias apuração sobre venda do Banco Master ao BRB

Pedido da Polícia Federal foi aceito pelo STF em investigação de fraudes bilionárias.

17 de Janeiro de 2026
Foto: Reprodução

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por mais 60 dias as investigações sobre suspeitas de irregularidades na operação de venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF), que solicitou mais prazo para aprofundar as diligências.

No despacho, Toffoli afirmou que os argumentos apresentados pela corporação justificam a extensão do período de apuração. “Posto isso, considero que as razões apontadas para prorrogação, por mais 60 (sessenta) dias, devem ser deferidas”, registrou o ministro.

Esta frente de investigação chegou ao STF em dezembro de 2025, quando Toffoli determinou que o caso passasse a tramitar na Suprema Corte. Antes disso, o inquérito estava sob condução da Justiça Federal em Brasília.

Segundo a PF, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado, retorno considerado irreal pelas autoridades. A estimativa é de que o esquema possa ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.

A corporação afirma ainda que há indícios de participação de dirigentes do BRB no esquema investigado. Em março, o banco chegou a firmar acordo para adquirir o Master, mas a operação acabou barrada pelo Banco Central.

As investigações também citam a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro, durante uma fase anterior da apuração. Ele foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Nesta semana, em novo desdobramento, a PF deflagrou uma operação para aprofundar as apurações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Os investigadores sustentam que o grupo se aproveitou, de forma sistemática, de “vulnerabilidades do mercado de capitais”, por meio de fundos de investimento e estruturas societárias, familiares ou funcionais.

Para a PF, há indícios de que o grupo investigado, formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao Master, teria cometido, pelo menos, cinco crimes:
• organização criminosa;
• gestão fraudulenta de instituição financeira;
• induzimento ou manutenção em erro de investidor;
• uso de informação privilegiada e manipulação de mercado;
• lavagem de dinheiro.

Os investigadores afirmam ter identificado operações com ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas sob controle de indivíduos com vínculos societários ou familiares com o Banco Master. A apuração indica ainda a presença de laranjas e sócios ocultos na estrutura do esquema.

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