Mobilização está prevista para as 7h30, em Manaus, após denúncias de atrasos salariais, sobrecarga de trabalho e falta de profissionais na unidade.
Trabalhadores do Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Pereira Machado, localizado na zona Leste de Manaus, anunciaram uma paralisação para esta quarta-feira (14/10), a partir das 7h30. A mobilização ocorre em meio a denúncias de atrasos salariais, falta de funcionários e dificuldades nas condições de trabalho. O movimento gera preocupação sobre possíveis impactos nos atendimentos prestados à população.
A unidade, localizada na avenida Cosme Ferreira, no bairro Coroado, enfrenta uma sequência de reclamações envolvendo profissionais terceirizados e equipes médicas. Entre os problemas relatados estão pagamentos em atraso, sobrecarga de trabalho e dificuldades estruturais, incluindo episódios de interrupção no fornecimento de energia elétrica e superlotação. O hospital é uma das principais referências do Amazonas no atendimento de urgência, emergência e vítimas de traumas graves.
As denúncias não são recentes. Em julho deste ano, trabalhadores terceirizados já haviam realizado uma paralisação em frente à unidade, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Privada do Amazonas (Sindpriv-AM). Na ocasião, a entidade denunciou atrasos de aproximadamente dois meses nos pagamentos, além de assédio moral, ameaças e excesso de atividades. A situação, segundo o sindicato, prejudicava o sustento de diversas famílias.
Durante aquela mobilização, a presidente do Sindpriv-AM, Graciete Mouzinho, relatou que funcionários do setor de higienização teriam sido ameaçados de demissão por justa causa após aderirem ao movimento. O sindicato também cobrou o pagamento imediato dos salários, maior fiscalização dos contratos terceirizados pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e investigação das denúncias pelos órgãos competentes.
Mais recentemente, em 9 de outubro, funcionários ligados ao Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS), responsável pela gestão do Complexo Hospitalar Leste, voltaram a denunciar irregularidades nos pagamentos. Segundo os relatos divulgados, trabalhadores aguardavam valores referentes a horas extras realizadas desde julho, além de enfrentarem atrasos salariais. O complexo reúne o Hospital João Lúcio e o Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste.
A crise nos pagamentos de profissionais e prestadores de serviços da rede estadual de saúde também ganhou repercussão nacional. Representantes do Sindicato dos Médicos do Amazonas e do Conselho Regional de Medicina discutiram a situação com entidades médicas nacionais. Conforme as informações divulgadas, o presidente do Conselho Federal de Medicina, Hiran Gallo, anunciou que cobraria providências do Governo do Amazonas e de outros órgãos responsáveis.
A paralisação anunciada para esta quarta-feira está prevista para começar às 7h30. Até o momento, não há confirmação sobre quantos trabalhadores devem aderir ao movimento, quais setores poderão ser afetados ou se haverá suspensão de atendimentos. Também não foram apresentados detalhes sobre possíveis negociações para evitar a interrupção das atividades.