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Tropas de Trump causam novos protestos e tensão política em Los Angeles

Presidente mobiliza Guarda Nacional contra vontade de governadores; confrontos e críticas aumentam

08 de Junho de 2025
Foto: Divulgação

A cidade de Los Angeles registrou novos protestos e confrontos neste domingo (8), após a chegada de dois mil soldados da Guarda Nacional, mobilizados por ordem direta do presidente Donald Trump. A medida foi tomada em resposta às manifestações contra operações de imigração e ocorreu sem o consentimento do governador da Califórnia, Gavin Newsom.

A tropa desembarcou sob forte aparato de segurança e, poucas horas depois, a polícia lançou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes reunidos em frente ao Centro de Detenção Metropolitano. O protesto era contra as recentes ações do ICE (Imigração e Alfândega), intensificadas na cidade nos últimos dias.

Trump publicou em redes sociais imagens dos militares avançando e afirmou que autorizou “todas as medidas necessárias para libertar Los Angeles da invasão migrante”. Segundo ele, os protestos estavam impedindo operações de deportação e representavam ameaça à autoridade federal.

Manifestante ergue cartaz contra agentes do ICE, órgão responsável pelo controle da imigração nos EUA (Foto: Daniel Cole/Reuters)

Gavin Newsom, por sua vez, respondeu com críticas duras e divulgou uma carta assinada por outros governadores democratas, condenando a ação de Trump como um “abuso de poder”. O governador também declarou que a mobilização é provocativa e pode aumentar ainda mais as tensões sociais na Califórnia.

Especialistas em direito constitucional alertam para os limites legais da medida. Em geral, o uso federal da Guarda Nacional sem o aval do estado só é permitido em casos extremos, como invasões ou rebeliões. Trump, no entanto, não invocou a Lei de Insurreição, preferindo uma legislação semelhante de interpretação controversa.

O decreto presidencial prevê que as tropas atuem apenas em apoio logístico e de proteção aos agentes federais, sem exercer funções de policiamento direto. No entanto, há preocupações de que a presença militar possa resultar em confrontos mais severos nas ruas.

Steve Vladeck, professor da Universidade de Georgetown, afirmou que a medida pode ser o início de uma militarização mais ampla da resposta federal aos protestos. “Não há função que esses soldados cumpram que os próprios agentes do ICE já não cumpram. Isso aumenta o risco de uso indevido da força”, alertou.

Trump mandou homens da Guarda Nacional a Los Angeles após dois dias de protestos e confrontos — Foto: Daniel Cole/Reuters

A controvérsia reacende debates sobre o papel das Forças Armadas em solo americano. Historicamente, a Guarda Nacional já foi usada para proteger civis durante protestos pelos direitos civis ou em emergências, como desastres naturais, mas sempre com apoio dos estados.

Em 2020, Trump já havia cogitado usar a Lei de Insurreição após os protestos pela morte de George Floyd, mas recuou diante da oposição do então secretário de Defesa. Agora, ele sinaliza que poderá recorrer ao dispositivo novamente.

Após o envio das tropas, o atual secretário de Defesa, Pete Hegseth, alertou que os fuzileiros navais de Camp Pendleton também estão em “alerta máximo” e prontos para atuar, caso os protestos se intensifiquem ainda mais nos próximos dias.

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