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Trump culpa gestão democrata por crise econômica nos EUA

Presidente anuncia bônus de Natal para 1,45 milhão de militares.

18 de Dezembro de 2025
Foto: Doug Mills / via Reuters

O presidente dos Estados Unidos fez um pronunciamento nacional nesta quarta-feira (17) marcado por críticas à administração democrata anterior e pelo anúncio de um bônus de Natal de US$ 1.776 (R$ 9.803) para militares norte-americanos.

As declarações ocorreram em meio à preparação do país para as festas de fim de ano. No entanto, o discurso de Trump destacou as divisões internas nos Estados Unidos, deixando em segundo plano mensagens de união. O presidente repetiu declarações feitas em pronunciamentos recentes, que até agora não conseguiram conter a preocupação da população com o aumento do custo de vida, que inclui alimentos, moradia, energia e itens essenciais.

Trump prometeu uma nova fase de crescimento para a economia norte-americana. Porém, a inflação continua alta, e o mercado de trabalho perdeu força após a implementação de taxas sobre importações, política conhecida como tarifaço. Mesmo assim, ele afirmou que as tarifas, que também contribuem para o aumento dos preços ao consumidor, ajudarão a financiar um “dividendo do guerreiro”, destinado a 1,45 milhão de militares. O pagamento, segundo Trump, poderá aliviar dificuldades financeiras enfrentadas por famílias de soldados.

O valor anunciado, US$ 1.776, faz referência ao 250º aniversário da assinatura da Declaração da Independência, comemorado em 2026. “Os cheques já estão a caminho”, afirmou o presidente.

O discurso foi realizado na Sala de Recepção Diplomática da Casa Branca, onde Trump apareceu ladeado por duas árvores de Natal e com um retrato de George Washington ao fundo. Ao longo de sua fala, atribuiu ao ex-presidente Joe Biden todos os desafios econômicos atuais. “Há onze meses, herdei uma trapalhada e a estou consertando”, declarou. “Estamos prestes a ter um boom econômico como o mundo nunca viu.”

Popularidade em queda

A popularidade de Trump tem diminuído de forma constante e o discurso surge em um momento considerado delicado para sua imagem pública. Em 2026, o presidente e o Partido Republicano enfrentarão eleições legislativas que vão decidir o controle da Câmara dos Representantes e do Senado.

O pronunciamento foi uma tentativa de recuperar apoio após derrotas republicanas nas eleições deste ano. Trump falou em ritmo acelerado e buscou responder ao descontentamento da população com a economia, prometendo crescimento para o próximo ano, redução de taxas de hipoteca e novas reformas no setor habitacional.

O presidente apresentou gráficos para sustentar que a economia “está em trajetória ascendente”, e fez afirmações sobre aumento de renda, desaceleração da inflação e investimentos no país. Trump disse ainda que líderes estrangeiros consideram os Estados Unidos “o país mais promissor do mundo”, argumento que tem repetido em eventos públicos.

Apesar do otimismo no discurso, os indicadores econômicos mostram um cenário de estabilidade, mas com pouca confiança geral. O mercado de ações permanece em alta, os preços da gasolina estão em queda e o setor de tecnologia segue investindo em inteligência artificial.

Ainda assim, a inflação, que vinha desacelerando após atingir o maior nível em quatro décadas em 2022, voltou a subir depois do anúncio da guerra tarifária em abril. Hoje, o índice anual de preços ao consumidor está em 3%, acima dos 2,3% registrados desde o Dia da Libertação, em 2 de abril.

O desemprego também aumentou, passando de 4% em janeiro para 4,6% atualmente. Trump defendeu que novos investimentos na indústria ajudarão a gerar empregos e que o consumo aumentará por conta de futuras restituições de impostos.

Na área da saúde, o presidente responsabilizou os democratas pelo possível aumento dos prêmios de seguro médico, visto que subsídios ligados à Lei de Cuidados Acessíveis de 2010 devem expirar. Trump sugeriu que os custos adicionais sejam destinados aos beneficiários dos seguros, e não às empresas, e ainda não apresentou uma proposta legislativa específica para o tema.

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