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Trump reafirma que Israel não irá anexar a Cisjordânia ocupada

Presidente dos EUA reage após votação preliminar no Parlamento israelense.

24 de Outubro de 2025
Foto: REUTERS / Ilan Rosenberg

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, declarou nesta quinta-feira (23) que Israel não seguirá adiante com a anexação da Cisjordânia ocupada, mesmo após uma votação preliminar no Parlamento israelense ter aprovado o avanço da proposta. “Israel não vai fazer nada com a Cisjordânia, não se preocupem com isso”, afirmou, durante entrevista concedida na Casa Branca.

A decisão no Knesset, parlamento unicameral de Israel, ocorreu na quarta-feira (22), com 25 votos favoráveis e 24 contrários, dando o primeiro passo para que o projeto seja analisado em mais três votações até que possa se tornar lei. A iniciativa prevê a incorporação da Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.

Nos bastidores da diplomacia internacional, o tema causou reação imediata. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, que está em Israel para acompanhar negociações de cessar-fogo na Faixa de Gaza, classificou a proposta como “estúpida”. Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o avanço da medida foi “uma provocação deliberada” da oposição, com o objetivo de gerar instabilidade durante a visita da comitiva norte-americana.

A proposta legislativa também encontrou resistência de países como Espanha, Catar e Turquia, além de organizações internacionais. O texto apresentado ao Parlamento israelense diz: “o Estado de Israel aplicará as suas leis e soberania às áreas de assentamento na Judeia e Samaria, para estabelecer o estatuto dessas áreas como parte inseparável do Estado soberano de Israel”.

Em entrevista publicada na quinta pela revista Time, Trump voltou a descartar qualquer possibilidade de anexação. “Isso não vai acontecer”, repetiu três vezes, ressaltando que se comprometeu com lideranças árabes a impedir esse movimento. Segundo ele, uma decisão nesse sentido faria Israel perder apoio dos Estados Unidos. “Isso não pode ser feito agora”, completou.

Trump ainda afirmou que pretende visitar a Faixa de Gaza “em breve” e demonstrou otimismo quanto a um possível reaproximamento entre Israel e países do Oriente Médio. O governante disse acreditar em “um relançamento iminente das relações” diplomáticas da nação israelense com o mundo árabe, vinculado ao avanço de negociações sobre o futuro do território.

A Cisjordânia permanece sob fragmentação territorial e forte controle israelense. A maior parte da região, conhecida como Área C e correspondente a cerca de 60% do território palestino, está sob administração militar e civil de Israel desde os Acordos de Oslo, na década de 1990. A presença de centenas de postos de controle e um rígido sistema de permissões impede o livre deslocamento da população palestina entre cidades, restringindo também o acesso a Jerusalém e a outros centros urbanos.

Enquanto Gaza é governada pelo Hamas, a Cisjordânia está sob comando da Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada por Mahmoud Abbas, cenário que agrava as divisões políticas internas e dificulta avanços no processo de paz.

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