Ministros consideram que a prorrogação da votação não alterou o resultado do segundo turno; apenas 35,5 mil votos foram registrados após as 17h, diante de uma diferença de 4,4 milhões entre os candidatos.
Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam, de forma reservada, que um eventual pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL) para anular o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 não deve prosperar. A contestação foi anunciada pelo candidato derrotado após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação em determinadas seções eleitorais no domingo (25). Segundo integrantes da Corte ouvidos pelo g1, a medida provocou questionamentos jurídicos, mas não teria alterado o resultado que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Um dos principais argumentos considerados pelos ministros é a diferença de votos entre os candidatos. De acordo com dados do TSE divulgados pelo g1, apenas 35.521 votos foram registrados após as 17h, no horário de Brasília. O número é pequeno diante da vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos obtida por Lula, que recebeu 64,2 milhões, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro.
Outro ponto levantado nos bastidores é que a própria campanha do candidato do PL solicitou ao TSE a ampliação do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. O pedido foi apresentado após relatos de dificuldades de deslocamento de eleitores, incluindo problemas no transporte público e cancelamentos de voos.
A controvérsia começou ainda durante a tarde de domingo, quando o TSE passou a receber informações sobre obstáculos enfrentados por eleitores em diferentes estados. Técnicos da Justiça Eleitoral recomendaram inicialmente a manutenção do encerramento da votação às 17h, enquanto aguardavam dados mais concretos sobre a situação, especialmente na Bahia.
Diante da falta de definição, a campanha de Lula acionou o STF às 15h46, solicitando a prorrogação do horário. Cristiano Zanin foi sorteado relator às 16h29, e sua decisão, autorizando a extensão por duas horas, foi divulgada à imprensa às 17h03. Pouco depois, às 17h04, a Procuradoria-Geral Eleitoral encaminhou ao TSE um parecer contrário à alteração do horário no caso da Bahia.
A decisão provocou divergências entre integrantes do STF e do TSE. Nos bastidores, ministros próximos ao presidente da Justiça Eleitoral, Kassio Nunes Marques, avaliaram que a determinação representou uma interferência nas atribuições do tribunal. Por outro lado, magistrados favoráveis à medida entenderam que a Justiça não poderia deixar de agir diante dos problemas relatados pelos eleitores.
Após a determinação, o TSE realizou uma reunião de emergência para discutir sua aplicação. Tribunais regionais eleitorais informaram que algumas seções já haviam encerrado suas atividades e que não seria possível reabrir as urnas. Diante do impasse, Nunes Marques entrou em contato com Zanin, e os ministros ajustaram a decisão para que a prorrogação fosse aplicada somente às seções que ainda permaneciam abertas.
Após a confirmação da derrota, Flávio Bolsonaro afirmou que não reconheceria o resultado e anunciou a intenção de solicitar a anulação das eleições. O senador argumentou que a mudança no horário teria provocado desigualdade entre os eleitores. Entretanto, o presidente do TSE declarou ter absoluta segurança sobre a integridade do processo eleitoral.