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Ucrânia e Rússia retomam negociações de paz nesta quarta em Istambul

Expectativa de avanço é baixa; ataques continuam e posições seguem opostas.

23 de Julho de 2025
Foto: REUTERS / Valentyn Ogirenko

Delegações da Ucrânia e da Rússia voltam à mesa de negociações nesta quarta-feira (23), em Istambul, na Turquia, para uma nova rodada de diálogo visando um cessar-fogo no conflito ucraniano. Apesar do reencontro diplomático, as expectativas de avanço são mínimas, com ambas as partes mantendo posições consideradas irreconciliáveis.

Esta é a terceira rodada de negociações diretas em território turco, agora sob a pressão adicional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estabeleceu um prazo de 50 dias para que Moscou chegue a um acordo com Kiev, sob pena de sanções ainda mais severas.

A própria Rússia já declarou não esperar grandes avanços. "É claro que não há razão para esperar progressos milagrosos", afirmou na terça-feira (22) o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentando que a Rússia pretende "defender seus interesses" durante o encontro.

Mesmo com o impasse diplomático, há espaço para acordos pontuais, como trocas de prisioneiros e a devolução de corpos de soldados mortos. “O tema da regularização ucraniana é tão complexo que chegar a acordos sobre trocas ou sobre a devolução dos corpos dos mortos já é um resultado”, disse Peskov.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reafirmou o desejo de um encontro direto com Vladimir Putin, mas o Kremlin descartou qualquer avanço nesse sentido neste momento. Zelensky nomeou o ex-ministro da Defesa e atual secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, como chefe da delegação ucraniana. A composição da delegação russa ainda não foi divulgada.

Exigências conflitantes

Segundo Peskov, as posições entre os dois países seguem “diametralmente opostas”. A Rússia exige que a Ucrânia reconheça a anexação da Crimeia (realizada em 2014), além de abrir mão das regiões parcialmente ocupadas no leste e sul do país. Moscou também quer o fim do fornecimento de armas ocidentais e que Kiev abandone qualquer intenção de se juntar à OTAN.

Por outro lado, a Ucrânia e seus aliados exigem a retirada completa das tropas russas, garantias de segurança ocidentais e a continuidade do apoio militar, incluindo um cessar-fogo de 30 dias, proposta rejeitada por Moscou.

Conflito persiste

Apesar das negociações, os combates continuam intensos. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou nesta quarta-feira que seus sistemas antiaéreos interceptaram 33 drones ucranianos durante a noite, com foco nas regiões de Tula e Rostov.

Esses ataques ucranianos ocorrem em resposta a um dos maiores bombardeios russos recentes, realizado na noite de segunda para terça-feira, quando foram lançados 426 drones e 24 mísseis contra diversas regiões ucranianas. Segundo a Força Aérea da Ucrânia, uma criança de 10 anos morreu e mais de 20 pessoas ficaram feridas.

Com os ataques em curso e as exigências em extremos opostos, analistas consideram improvável que a rodada de Istambul produza avanços concretos em direção à paz, embora acordos pontuais possam ser alcançados nos bastidores.

 

Com informações da RTP.

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