Meio Ambiente

UFPA decifra genoma de peixes amazônicos e reforça proteção contra pesca predatória

Estudo inédito com pirarucu e filhote amplia rastreabilidade e apoia políticas de conservação.

18 de Janeiro de 2026
Foto: Adriano Gambarini / OPAN - Divulgação

O pirarucu (Arapaima gigas) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum) foram as primeiras espécies a terem o DNA decifrado em um estudo inédito conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA). As duas espécies têm alta demanda na gastronomia e enfrentam dificuldade de reprodução em ambientes de piscicultura, o que motivou a escolha para a pesquisa.

Segundo o pesquisador Sidney Santos, do Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas, o objetivo foi conter os impactos da exploração predatória impulsionada pelo aumento da procura. “A ideia central é, se você de uma forma equilibrada e direcionada conseguir conhecimento suficiente para produzir esses peixes do jeito mais sustentável possível, você pode diminuir a demanda da natureza”, explicou.

Para chegar ao genoma, os cientistas coletaram amostras de mais de 100 peixes e analisaram o DNA em um sequenciador que lê a ordem dos nucleotídeos, formando um “manual” com informações da espécie. “Isso pode valer para qualquer animal que você imagine, qualquer vegetal. O modelo é sempre o mesmo. Se você, de uma forma sustentada, consegue a informação completa sobre o genoma desses animais, você pode fazer qualquer coisa com eles, inclusive reproduzir”, disse Santos.

Na prática, segundo o pesquisador, o estudo pode indicar se um peixe é originado de matriz de piscicultura ou se foi retirado diretamente da natureza e comercializado. Além disso, o genoma permite rastreabilidade genética, apontando a origem do animal.

“Com a história que está dentro do genoma do pirarucu, por exemplo, eu consigo descobrir se um pirarucu que está sendo vendido em Boston foi oriundo da Amazônia”, afirmou Igor Hamoy, diretor do Instituto Sócio Ambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia, que participou do trabalho.

Os dados do estudo também foram registrados em banco genético público, ampliando a base para novas pesquisas e ajudando na identificação correta das espécies.

A partir das informações obtidas, os pesquisadores avançaram em entraves da piscicultura do pirarucu e do filhote, como indução do hormônio sexual, nutrição em ambientes artificiais e mecanismos de rastreabilidade para combater a comercialização ilegal.

A secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, afirmou que pesquisas do tipo contribuem para políticas públicas de conservação. “A pesquisa genética contribui para aumentar nosso conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e também contribui para a gente conseguir melhor compreender o que a gente já fez e o que ainda falta ser feito,” disse.

Sidney Santos também destacou que a tendência é ampliar estudos genômicos com redução de custos, mas que ainda existem desafios na Amazônia, como logística e necessidade de financiamento. Rita Mesquita reforçou que a ciência é fundamental para garantir manejo sustentável e evitar a perda de espécies.

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