Saúde

Uma em cada três mulheres com câncer de mama tem menos de 50 anos

CBR alerta para aumento de casos e mortes fora da faixa rastreada pelo SUS.

11 de Junho de 2025
Foto: José Cruz / Agência Brasil

Mais de 108 mil mulheres com menos de 50 anos foram diagnosticadas com câncer de mama no Brasil entre 2018 e 2023, segundo análise do Painel Oncologia Brasil feita pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Isso representa aproximadamente uma em cada três pacientes diagnosticadas com a doença no período.

Para a entidade, os dados reforçam a necessidade de ampliar o rastreamento do câncer de mama por meio da mamografia também em mulheres com menos de 50 e mais de 70 anos, atualmente fora da recomendação padrão para exames preventivos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Detalhamento dos casos

O levantamento mostra que, entre janeiro de 2018 e dezembro de 2023, foram registrados mais de 319 mil diagnósticos de câncer de mama no país. Desse total:

• 157,4 mil foram em mulheres de 50 a 69 anos, faixa etária atualmente recomendada para rastreamento;

• 71.204 casos ocorreram em mulheres de 40 a 49 anos;

• 19.576 em mulheres de 35 a 39 anos,

• e 53.240 em mulheres com mais de 70 anos.

Juntas, as mulheres abaixo de 50 anos representaram 33% do total de casos.

Crescimento de casos

O CBR também alerta para o crescimento acelerado dos diagnósticos: foram 40.953 casos em 2018 contra 65.283 em 2023, um aumento de 59% em seis anos.

Os estados com maior número de casos diagnosticados no período são:

• São Paulo – 22.014

• Minas Gerais – 11.941

• Paraná – 8.381

• Rio Grande do Sul – 8.334

• Bahia – 7.309

Na faixa de 50 a 69 anos, São Paulo também lidera, com 36.452 diagnósticos, seguido por Minas Gerais (18.489), Rio de Janeiro (13.658), Rio Grande do Sul (13.451) e Paraná (10.766).

Mortes por câncer de mama

Entre 2018 e 2023, foram registradas 173.690 mortes por câncer de mama no Brasil. O número anual de óbitos saltou de 14.622 em 2014 para 20.165 em 2023, um aumento de 38%.

Segundo o CBR, “embora tenha ocorrido redução nos óbitos entre 2020 e 2021, especialmente em algumas faixas etárias, os números voltaram a crescer em 2022 e 2023, possivelmente devido ao impacto da pandemia de covid-19, que prejudicou o acesso ao diagnóstico e tratamento adequados”.

“A interrupção do rastreamento durante esse período gerou um efeito acumulado, contribuindo para o aumento da mortalidade”, acrescentou a entidade.

Entre as mulheres com menos de 50 anos, foram 38.793 mortes, o que representa 22% do total de óbitos no período. Já entre mulheres com mais de 70 anos, foram 56.193 mortes (32%).

Rastreamento precoce pode salvar vidas

Para o CBR, a ampliação do rastreamento é fundamental para reduzir a mortalidade. “O rastreamento precoce pode reduzir em até 30% a mortalidade por câncer de mama. Isso significa que metade das vidas perdidas para a doença poderia ser salva com um diagnóstico no momento certo”, conclui a entidade.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.