Blocos avançam após aprovação dos Estados-membros; assinatura pode ocorrer em 17 de janeiro.
A União Europeia confirmou a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, que deve resultar na maior zona de livre comércio do mundo. A informação foi divulgada pelo Chipre, país que ocupa a presidência rotativa do bloco europeu.
Segundo a presidência cipriota, uma ampla maioria dos Estados-membros da UE apoiou o acordo de livre comércio com o bloco sul-americano. Os países tinham prazo até as 17h no horário de Bruxelas (13h em Brasília) para confirmar seus votos por escrito. Mais cedo, os embaixadores dos 27 países do bloco já haviam sinalizado aprovação provisória do tratado.
Apesar do aval político, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. A confirmação, no entanto, abre caminho para a assinatura formal entre os blocos. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a UE no dia 17 de janeiro.
O tratado é apoiado por setores empresariais, mas enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França. De forma geral, o acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além da adoção de regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o texto amplia o acesso a um mercado estimado em 451 milhões de consumidores e gera impactos que vão além do agronegócio, alcançando também a indústria.
As negociações entre os blocos se arrastam há mais de 25 anos. A expectativa é que, mesmo diante da oposição de alguns países, o Parlamento Europeu aprove o tratado. O acordo prevê que o Mercosul elimine tarifas sobre cerca de 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos, enquanto o bloco europeu deve retirar gradualmente taxas sobre 92% das exportações do Mercosul, além de ampliar cotas isentas no setor agrícola.
A Comissão Europeia e países favoráveis, como Alemanha e Espanha, defendem que o acordo reduz a dependência europeia da China, sobretudo em relação a minerais críticos como o lítio, além de ajudar a compensar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. Segundo a Comissão, o tratado é o maior já firmado pela UE em termos de redução tarifária, eliminando mais de 4 bilhões de euros por ano em impostos sobre exportações europeias.
Apesar do avanço, o acordo segue enfrentando oposição de países como França, Irlanda, Hungria e Polônia, que alegam riscos ao setor agrícola. Na França, o governo foi criticado por agricultores e partidos de oposição após não conseguir barrar a aprovação. O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris votou contra o acordo, argumentando que os benefícios econômicos seriam limitados para o crescimento francês e europeu.
A Irlanda também declarou oposição. O primeiro-ministro Simon Harris afirmou que o país não apoia o acordo nos moldes apresentados. Já a Itália teve papel decisivo para o avanço do tratado. A sinalização de apoio de Roma reforçou a percepção de que a ratificação poderia avançar, após o governo italiano condicionar seu aval ao atendimento de demandas do setor agrícola.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou como “passo positivo e significativo” a proposta da Comissão Europeia de acelerar a liberação de 45 bilhões de euros para apoio aos agricultores. O ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que a UE passou a discutir o aumento, e não a redução, dos recursos destinados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034.