Saúde

Uso de canetas emagrecedoras sem supervisão pode causar perda de massa muscular

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia alerta para risco de deficiência de nutrientes e redução excessiva de massa magra durante o tratamento.

Por: Portal Amz em Pauta
23 de Agosto de 2026
Foto: Reprodução

Os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras têm apresentado resultados positivos no tratamento da obesidade, mas o uso sem acompanhamento adequado pode provocar problemas como deficiência de vitaminas e perda excessiva de massa muscular. O alerta é da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), que destaca a importância de associar o tratamento a mudanças na alimentação e à prática regular de atividade física.

Segundo o endocrinologista Marcio Mancini, membro da SBEM e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), os medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 reduzem intensamente o apetite e retardam o esvaziamento do estômago. Esses efeitos podem levar alguns pacientes a diminuir de maneira acentuada a quantidade de alimentos ingeridos, resultando em consumo insuficiente de proteínas, vitaminas e outros micronutrientes.

Para reduzir os riscos, Mancini afirma que a alimentação deve priorizar a qualidade nutricional, e não apenas a diminuição das porções. “Quando o tratamento é iniciado, é preciso dar prioridade à densidade nutricional. O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes.” O especialista sugere ingestão diária de aproximadamente 1,2 grama de proteína por quilo de peso para pessoas jovens e saudáveis e de 1,5 grama por quilo para idosos ou indivíduos com risco de sarcopenia.

O acompanhamento da massa magra também é considerado fundamental durante o tratamento. A avaliação pode ser realizada por exames como bioimpedância, feita em consultório, e densitometria de corpo inteiro. Testes de força de preensão manual também podem ajudar a identificar alterações na função muscular. Segundo Mancini, o objetivo é evitar que a quantidade de músculo perdida ultrapasse 25% do peso total eliminado durante o processo de emagrecimento.

Entre os efeitos relatados com maior frequência quando os medicamentos são utilizados sem supervisão estão queda e afinamento dos cabelos, náuseas, constipação, flatulência e sensação acentuada de estufamento. Para minimizar esses sintomas, o endocrinologista recomenda refeições menores e distribuídas ao longo do dia, consumo de alimentos ricos em proteína no início das refeições, redução de alimentos muito gordurosos e aumento da ingestão de fibras e líquidos.

Alguns sinais também devem servir de alerta para possíveis quadros de desnutrição. Entre eles estão perda de força ou dificuldade de mobilidade, principalmente em idosos, além de alterações nos níveis de vitamina D, potássio, magnésio, ferro e vitamina B12. A restrição alimentar excessiva e a perda completa do prazer ao comer também podem indicar que a dose utilizada está acima do necessário para determinado paciente. Por isso, Mancini reforça a importância do acompanhamento conjunto de endocrinologista, nutricionista e profissional de educação física.

A mentora de mulheres Amanda Vila Nova relata ter obtido resultados positivos com o tratamento justamente por contar com acompanhamento profissional. Segundo ela, a utilização das canetas resultou em perda de peso e melhora da qualidade de vida, sem apresentar problemas como queda de cabelo ou enfraquecimento das unhas. “Não tive queda de cabelo nem unha enfraquecida pelo fato de ser acompanhada e fazer a reposição de vitaminas de forma correta”, afirmou.

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