Caracas denuncia pirataria e ameaça levar caso ao Conselho de Segurança da ONU.
A Venezuela condenou a apreensão de um petroleiro pelos Estados Unidos no Mar do Caribe, neste sábado (20), classificando a ação como “roubo”, “sequestro” e “pirataria”. Este é o segundo episódio envolvendo embarcações venezuelanas em menos de duas semanas na região, onde militares norte-americanos mantêm presença ativa.
Em comunicado, o governo de Nicolás Maduro denunciou o “desaparecimento forçado” da tripulação e advertiu que “estes atos não ficarão impunes”. Caracas informou que tomará “todas as medidas adequadas, incluindo a denúncia perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, outras organizações multilaterais e os governos do mundo”.
Maduro afirmou que “o modelo colonialista que o governo dos Estados Unidos procura impor com este tipo de práticas vai fracassar e será derrotado”. O governo venezuelano acrescentou que o direito internacional “prevalecerá e os responsáveis por estes graves atos responderão perante a justiça e a história pelas suas ações criminosas”.
Os Estados Unidos confirmaram a interceptação da embarcação em águas internacionais do Caribe. Segundo a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, a operação foi realizada pela Guarda Costeira, com apoio do Departamento de Defesa. Em nota publicada na rede X, ela afirmou que o barco havia atracado recentemente na Venezuela e que os EUA “continuarão a perseguir o movimento ilícito de petróleo sancionado utilizado para financiar o narcoterrorismo na região”.
“Vamos encontrá-los e detê-los”, disse Noem, divulgando imagens da operação.
A embarcação apreendida foi identificada como “Centuries”, que navegava sob bandeira do Panamá e, segundo relatos, pertence a uma empresa com sede na China. Nas últimas semanas, a administração do presidente Donald Trump reforçou ações de bloqueio e controle ao transporte de petróleo venezuelano.
Este é o segundo navio interceptado em poucos dias. Na semana passada, os EUA apreenderam o petroleiro “Skipper” e confiscaram o petróleo a bordo.
O episódio ampliou tensões internacionais. Segundo o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, o Irã ofereceu cooperação “em todas as áreas” para combater o que classificou como “pirataria e terrorismo internacional” dos EUA.
A Venezuela solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para tratar do caso. O encontro está marcado para a tarde de terça-feira (23).