Delcy propõe reforma do petróleo para atrair investimentos, enquanto presos são soltos.
Motociclistas que apoiam o presidente venezuelano Nicolás Maduro participam de uma manifestação em Caracas em protesto contra a pressão militar dos Estados Unidos.
Com Delcy Rodríguez há quase duas semanas como presidente em exercício e os Estados Unidos tendo consolidado a tutela sobre toda a cadeia petrolífera da Venezuela, o país sul-americano começa a se voltar para a questão dos presos políticos e a necessidade de atrair investimentos externos.
Ambos os elementos constam no que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, apontou como a “segunda fase” do plano americano para a Venezuela pós-captura de Nicolás Maduro. Esta etapa combinaria a anistia e a libertação de presos sob motivação política e a facilitação ao acesso de empresas estrangeiras à Venezuela.
A fase foi chamada por Rubio como de “recuperação”. A primeira, de “estabilização”, visaria impedir que a Venezuela “mergulhe no caos”. A terceira e última, de “transição”, foi resumida como o momento em que o povo venezuelano determinaria o “futuro” do país — o que indica que seria a etapa em que se celebraria eleições presidenciais.
Delcy anunciou, nesta quinta-feira (15), que seu governo vai enviar à Assembleia Nacional um projeto de lei para reformar a Lei de Hidrocarbonetos, que prevê a participação do Estado venezuelano sobre toda a cadeia produtiva do petróleo e que foi fortalecida sob o ex-presidente Hugo Chávez.
A proposta busca institucionalizar na Lei de Hidrocarbonetos mecanismos emergenciais da Lei Antibloqueio, de 2020, que permitiu a flexibilização da participação do Estado venezuelano em contratos com petrolíferas privadas, com o objetivo de contornar sanções contra o país.
Com isso, Delcy atenderia a demandas de petrolíferas privadas que, pressionadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmam que só investiriam na Venezuela com garantias de que não sofreriam perdas como as registradas durante a nacionalização da indústria petrolífera venezuelana.
Enquanto Delcy anunciava o projeto em Caracas, a principal opositora ao regime chavista, María Corina Machado, se reunia com Trump em Washington. Esta foi a primeira vez que a venezuelana se encontrou com o presidente americano desde a operação que capturou Maduro para julgamento nos EUA por acusações relacionadas ao tráfico de drogas.
Maria Corina deu de presente a Trump a medalha que recebera pelo prêmio Nobel da Paz em 2025. A opositora disse que pôde “conversar com calma” com Trump sobre as “expectativas e sonhos do venezuelano” e afirmou que ficou “muito impressionada” com a “clareza” do líder americano sobre o contexto da Venezuela.
“E assegurei a ele que a sociedade venezuelana está unida. Que, hoje, mais de 90% dos venezuelanos querem a mesma coisa: viver em liberdade, com dignidade, com justiça, e queremos nossos filhos de volta para casa — e, para que isso aconteça, é preciso haver democracia”, declarou Corina.
“Podem ter certeza de que o presidente Trump está comprometido com a liberdade de todos os presos políticos na Venezuela e com a liberdade de todos os venezuelanos”, acrescentou a líder opositora, ao citar o processo em curso atualmente no país.
Na quarta-feira (14), Delcy afirmou que a Venezuela continuará realizando libertações e que até 406 pessoas seriam colocadas em liberdade até o fim daquele dia. A organização Foro Penal, que monitora a situação de Direitos Humanos no país, listava 806 presos por motivações políticas na Venezuela em 5 de janeiro.
“A mensagem é muito clara: uma Venezuela que se abre para um novo momento político. Que permite a compreensão a partir da divergência e da diversidade político-ideológica, mas que deve ser feita com respeito ao próximo e aos Direitos Humanos”, declarou Delcy Rodríguez na quarta.
Com informações da CNN Brasil*