Regime de Maduro reforça defesas em Caracas e mostra sistemas antiaéreos russos durante escalada de tensão.
As Forças Armadas da Venezuela têm divulgado intensamente nas redes sociais seus preparativos para reagir a uma possível ofensiva dos Estados Unidos, à medida que aumentam as tensões entre Caracas e o governo Trump. Neste sábado (29), o presidente americano declarou que o espaço aéreo venezuelano deve ser considerado totalmente fechado, afirmação rejeitada pela chancelaria venezuelana, que classificou a fala como uma “ameaça colonialista”.
Especialistas avaliam que a demonstração de força feita pelo regime de Nicolás Maduro, incluindo sobrevoos de caças em baixa altitude sobre grandes cidades e exercícios com munição real na costa, busca destacar as capacidades militares do país diante do poder muito superior dos EUA.
A CNN analisou imagens das Forças Armadas, verificou vídeos e dados de fonte aberta desde o início de setembro para examinar como o governo Maduro tem exibido seu aparato militar durante o período de tensão. As ações venezuelanas foram respondidas por demonstrações aéreas e navais dos EUA no Caribe, incluindo uma “demonstração de ataque” realizada na quinta-feira (27) com aeronaves de reconhecimento, avião de ataque, bombardeiro e outros modelos.
“Os Estados Unidos são obviamente a força dominante. Não há surpresas nisso. Mas não devemos ser displicentes”, afirmou Ryan Berg, diretor do Programa das Américas do CSIS, que alertou para a capacidade venezuelana de transformar o conflito em uma questão existencial para o regime.
A capital Caracas vem sendo reforçada com novas camadas de defesa. Ao longo da rodovia Caracas–La Guaira, única rota terrestre prática para uma força invasora chegar à capital, o governo ampliou barreiras de concreto do tipo “ouriço”. Imagens verificadas mostram dezenas de obstáculos posicionados ao lado de maquinário militar. Imagens de satélite também registram esses bloqueios próximos a um ponto estratégico da rodovia.
Em pronunciamento na rede estatal VTV, Maduro apresentou um “plano de defesa abrangente” para Caracas e La Guaira, detalhando a possível distribuição de armamentos ao longo do corredor, “rua por rua, comunidade por comunidade”.
Com a presença de aeronaves e drones americanos avançados no Caribe, as Forças Armadas venezuelanas intensificaram a exibição de seus sistemas de defesa aérea. Na semana passada, imagens de uma unidade militar mostraram a instalação de um radar russo P-18-2M em uma base a leste de Caracas, na Ilha Margarita. Em outro exercício, foram exibidos sistemas Buk-M2E de médio alcance, dos quais o país possui quase uma dúzia, segundo dados do CSIS.
Apesar disso, especialistas levantam dúvidas sobre a condição operacional de algumas plataformas. Em resposta, uma unidade da FANB publicou vídeos de soldados limpando um sistema Pechora S-125, de menor alcance, aparentemente para reforçar a imagem de manutenção ativa. Porém, permanece a ausência notável dos sistemas de mísseis S-300, considerados o armamento mais avançado do país.
Esses movimentos ocorrem semanas após o pouso de um avião sancionado pelos EUA, suspeito de transportar equipamentos para aliados russos, em Caracas. Embora o conteúdo da carga não tenha sido oficialmente confirmado, o parlamentar russo Alexei Zhuravlev afirmou ao jornal Gazeta.ru que o voo trouxe novos sistemas de defesa aérea Pantsir-S1 e Buk-M2E para a Venezuela.