Para proteger essa espécie ícone da Amazônia, é fundamental repensar o manejo do solo e mitigar os impactos ambientais
A vitória-régia, maior planta aquática do mundo, ganhou destaque no BBB 24 após ser escolhida como emoji pela participante Alane Dias, natural da região amazônica. Assim como a planta, a participante paraense carrega a rica herança cultural da Amazônia.
O nome vitória-régia foi dado em 1865 pelo inglês John Lindley, em homenagem à rainha Vitória do Reino Unido. Sua descoberta, no entanto, ocorreu bem antes, em 1801, durante uma expedição no Amazonas liderada pelo botânico Thaddäus Haenke.
De acordo com uma lenda tupi-guarani, a planta teve origem trágica. Uma jovem chamada Naiá, movida pela curiosidade, pulou no rio ao tentar tocar o reflexo da lua e acabou afogada. Em homenagem, os deuses a transformaram na primeira vitória-régia, estrela das águas amazônicas.
Apesar de parecer flutuar, a vitória-régia tem suas raízes firmemente fixadas na lama. Segundo o biólogo Valdely Kinupp, ela pertence à mesma categoria de plantas como mandioca e batata. Esse fato explica sua presença em áreas de água rasa.
Um dos maiores atrativos da vitória-régia são suas flores, que desabrocham por apenas 48 horas. Na primeira noite, brancas e femininas, tornam-se rosas e masculinas na segunda noite, antes de murcharem e liberarem sementes. Essa transformação é essencial para sua reprodução.
É comum confundir a vitória-régia com a flor-de-lótus, mas ambas pertencem a famílias diferentes. A vitória-régia, da família Nymphaeaceae, é nativa da América do Sul, enquanto a flor-de-lótus, da família Nelumbonaceae, é originária da Ásia.
A vitória-régia se destaca como um ícone da biodiversidade. Em 2022, cientistas anunciaram a descoberta da victoria boliviana, maior espécie da planta, com folhas de até 3 metros de diâmetro. Essa espécie superou a vitória-régia amazônica, cujas folhas chegam a 2,5 metros.
Além de sua beleza, a planta tem utilizações alimentícias. O pecíolo, que pode atingir 7 metros, é usado em pratos como conservas, picles e refogados. Sementes transformadas em pipoca e flores em saladas são outras possibilidades.
A sobrevivência da vitória-régia, no entanto, está ameaçada pelas mudanças climáticas. Alterações no ciclo das chuvas e o desmatamento comprometem seu desenvolvimento, assim como a construção de barragens e o assoreamento dos rios.
Para proteger essa espécie ícone da Amazônia, é fundamental repensar o manejo do solo e mitigar os impactos ambientais. Caso o desequilíbrio persista, a vitória-régia corre o risco de desaparecer, levando consigo uma parte insubstituível da biodiversidade brasileira.