Com foco em segurança digital, a iniciativa gera polêmica ao oferecer recompensas em criptomoeda em troca do escaneamento da íris dos usuários.
O Worldcoin, projeto de identidade digital e criptomoeda criado por Sam Altman, CEO da OpenAI, tem gerado grande repercussão, especialmente nas redes sociais como o TikTok, onde usuários discutem os possíveis riscos e benefícios da iniciativa. O projeto, que já escaneou a íris de 115 mil brasileiros, promete combater fraudes online e criar um sistema seguro de verificação de identidade, mas especialistas levantam preocupações sobre a privacidade dos dados coletados.
A proposta do Worldcoin é usar um dispositivo chamado Orb para capturar a íris dos participantes e gerar um código único, conhecido como World ID. Este sistema tem como objetivo diferenciar humanos de bots, uma necessidade crescente em um mundo cada vez mais digital, prevenindo fraudes e garantindo maior segurança nas transações e interações online.
Como funciona o escaneamento de íris?
O processo começa com o download do aplicativo World App, onde o usuário agenda um horário para o escaneamento. O dispositivo Orb captura uma imagem da íris, converte-a em um código criptografado e apaga o registro visual imediatamente, conforme afirma a empresa. Em troca, os participantes recebem recompensas na forma de criptomoedas, chamadas Worldcoin tokens (WLD), com valor equivalente a aproximadamente R$ 470.
O projeto está presente em vários países, como Brasil, México e Estados Unidos. No Brasil, as operações começaram em novembro de 2024, e em menos de um mês, o número de participantes chegou a 115 mil.
Múltiplas utilidades do Worldcoin
A empresa por trás do Worldcoin afirma que sua tecnologia pode ser utilizada de várias formas. Entre os benefícios estão a substituição do sistema Captcha, que confirma se a interação em sites e redes sociais é feita por humanos, e a possibilidade de usar o World ID em processos democráticos e até para viabilizar políticas de renda básica universal.
Outro ponto positivo mencionado pela empresa é o anonimato. O sistema não requer informações como nome, e-mail ou número de telefone, o que, segundo a companhia, tornaria o Worldcoin mais seguro do que métodos tradicionais, como o reconhecimento facial.
Preocupações com a privacidade e a segurança dos dados
Apesar das promessas, o Worldcoin enfrenta críticas de especialistas em privacidade, que alertam para os riscos do uso de dados biométricos sensíveis. O código gerado pela imagem da íris pode ser reutilizado para outros fins, o que levanta preocupações sobre o uso inadequado dessas informações. Além disso, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) está avaliando a documentação apresentada pela empresa sobre o tratamento de dados pessoais no Brasil.
Enquanto isso, o projeto continua a expandir suas operações e a atrair novos participantes, ao mesmo tempo em que o debate sobre a segurança e a privacidade no uso de dados biométricos se intensifica.