Deputada foi condenada a 10 anos por invasão ao CNJ e documentos falsos
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) deve se apresentar às autoridades italianas ainda nesta semana. Segundo informações de bastidores, a parlamentar aguarda apenas a orientação de seu novo advogado para formalizar a apresentação na Itália, país onde se encontra desde o final de maio.
Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela inserção de documentos falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). Entre os documentos, estava um mandado de prisão forjado contra o ministro Alexandre de Moraes.
No último sábado (8), o próprio ministro Alexandre de Moraes determinou que a deputada comece a cumprir sua pena de prisão. A decisão inclui também o envio do processo ao Ministério da Justiça para o início de procedimentos de extradição da parlamentar ao Brasil.
Além disso, Moraes ordenou que a documentação do julgamento fosse encaminhada à Câmara dos Deputados, para que a Casa declare oficialmente a perda do mandato de Zambelli, em cumprimento à decisão judicial.
Ainda segundo apurações, Zambelli pretende procurar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tentar apresentar novas informações e pedir que a declaração de perda de mandato seja adiada.
Entretanto, nesta segunda-feira (9), Hugo Motta afirmou que a Câmara vai cumprir a decisão do STF, declarando a perda do mandato de Zambelli. Segundo ele, após o encerramento do julgamento, não cabe mais à Casa deliberar sobre a decisão.
"A decisão judicial tem que ser cumprida", declarou Motta. Com isso, Zambelli deve perder seu mandato automaticamente, sem necessidade de votação em plenário, como chegou a ser especulado em outras ocasiões.
A situação da deputada representa um dos casos mais graves de quebra de decoro parlamentar nos últimos anos, e abre caminho para um processo de extradição internacional, marcado por forte repercussão política e jurídica.